Ayahuasca em expansão: Saberes, ritual e disputas de legitimidade no mundo contemporâneo

27 e 28 de agosto de 2026 das 19h às 21h30

Nas últimas décadas, o uso da ayahuasca no Brasil passou por um processo de institucionalização e reconhecimento que estabilizou, em grande medida, seu estatuto jurídico no campo religioso. No entanto, esse aparente fechamento normativo não encerra as controvérsias; ao contrário, inaugura novas dinâmicas no campo. A expansão global da ayahuasca, sua inserção em circuitos terapêuticos e científicos, bem como sua apropriação por diferentes formas de espiritualidade contemporânea, têm produzido um campo complexo de disputas em torno da legitimidade, da autoridade e da definição de usos considerados “mais adequados” ou “menos adequados”.

Convidamos a todas, todos e todes a participar do presente seminário, que propõe deslocar o foco de uma abordagem centrada na regulação, já relativamente consolidada no caso brasileiro, para uma análise das fronteiras contemporâneas do campo ayahuasqueiro, enfatizando os tensionamentos entre tradição, ciência, religião e mercado. Ancorado na antropologia, mas em diálogo com áreas afins, como os estudos de ciência e tecnologia, a antropologia da religião e a antropologia das drogas, o evento busca promover uma reflexão crítica sobre os modos de produção de conhecimento e os regimes de verdade que perpassam o uso da ayahuasca no mundo contemporâneo.

O seminário será virtual e contará com transmissão aberta, acompanhe ao vivo pelo canal da FFCH/UFBA no YouTube!

Coordenação: GIESP/UFBA – Edward MacRae, Roca Alencar e Wagner Coutinho Alves

Apoio: Instituto Chacruna


✦︎ Mesa Redonda 1 ✦︎

27 de agosto de 2026, quinta-feira, das 19h às 21h30

Tradição, ritual e transformação: Continuidades e reinvenções no uso da ayahuasca

Sandra Goulart, Wladimyr Araújo, Francisco Araujo e Ligia Platero

Mediação: Edward MacRae

┈┈┈┈┈┈┈┈

✦︎ Mesa Redonda 2 ✦︎

28 de agosto de 2026, sexta-feira, das 19h às 21h30

Fronteiras da legitimidade: Expansão, ciência e controvérsias no campo ayahuasqueiro contemporâneo

Beatriz Labate, Bruno Ramos Gomes e Saulo Fernandes

Mediação: Nubia Rodrigues



Edward MacRae concluiu o bacharelado em Social Psychology na University Of Sussex em 1968. Em 1971, obteve o título de mestre em Sociology Of Latin America, na University of Essex. Obteve o título de doutor em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP) em 1986. Desde então, vem pesquisando a questão das drogas, trabalhando inicialmente no Instituto de Medicina Social e de Criminologia do Estado de São Paulo-IMESC e no Programa de Orientação e Atendimento à Drogadependência-PROAD/EPM. Foi membro do Conselho Estadual de Entorpecentes de São Paulo e atualmente é Membro do Conselho Consultivo da ONG Dínamo - Informação Segura sobre Drogas e do Conselho Fiscal da ABRAMD - Associação Brasileira Multirisciplinar de Estudos sobre Drogas. É professor Associado ao Departamento de Antropologia e Etnologia e é pesquisador associado ao Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas-CETAD, ambos da Universidade Federal da Bahia, onde ministra cursos de graduação e pós-graduação em torno de temas relacionados a socioantropologia das drogas. É autor de mais de 40 artigos e livros sobre temas como sexualidade, movimentos sociais, o uso socialmente integrado de substâncias psicoativas, redução de danos associados ao uso de drogas, uso religioso de ayahuasca e Cannabis sativa, entre outros assuntos.

Sandra Lúcia Goulart é doutora em Ciências Sociais (2004, Unicamp), Mestre em Antropologia Social (1996, USP) e graduada em Ciências Sociais (1989, USP). Estuda fenômenos culturais e religiosos ligados à ayahuasca desenvolvidos no Brasil. Suas pesquisas abordam fenômenos da área de antropologia da religião, do campo de estudos das substâncias psicodélicas e das políticas de drogas. Dentre suas publicações se destacam: as edições especiais Current Debates on Sacred Plants, no Journal Anthropology of Consciousness (2022) e Psicodélicos, da Revista Platô, Drogas e Políticas (2021); os livros O Uso de Plantas Psicoativas nas Américas (2019); Drogas, Políticas Públicas e Consumidores (2016); Drogas e Cultura: novas perspectivas (2008); O Uso Ritual das Plantas de Poder (2005). Atualmente é professora da Faculdade Cásper Líbero, e atua como docente na pós- graduação em Psicoterapia Assistida por Psicodélicos, do Instituto Alma Viva, em São Paulo. Ela é também uma das fundadoras do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP).

Bia Labate é antropóloga, educadora, autora, palestrante e ativista brasileira radicada em San Francisco, EUA. Doutora em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), atua nas áreas de substâncias psicoativas, política de drogas, xamanismo, rituais, religiões e justiça social, com um forte compromisso com a proteção de plantas sagradas e a amplificação das vozes de comunidades marginalizadas no campo da ciência psicodélica. É Diretora Executiva do Instituto Chacruna de Plantas Psicodélicas Medicinais, onde também coordena a extensão internacional Chacruna Latinoamérica. Atua como Assessora Senior de Cultura e Estratégia na Associação Multidisciplinar de Estudos Psicodélicos (MAPS), e como Professora Visitante do Centro de Estudos Superiores em Teologia em Berkeley. Além disso, é consultora de cerca de 15 organizações, entre elas, a Coalizão de Líderes Veteranos pela Saúde Mental, a Aliança de Plantas Sagradas (SPA) e o Conselho de Conscientização sobre Enteógenos do Alasca. Uma das fundadoras do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP), no Brasil, é também editora de seu site. Desde 1996, tem uma trajetória pessoal e acadêmica profundamente marcada pelas suas experiências com a ayahuasca. É autora, coautora e coeditora de 28 livros, três edições especiais e inúmeros artigos em periódicos acadêmicos e publicações online. Mais informações em: https://bialabate.net

Wladimyr Sena Araújo é doutor em História pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO. Possui graduação em História pela Universidade Federal do Acre (1991), especialização em Artes Cênicas (1993) pela Faculdade de Artes do Paraná – FAP, e mestrado em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP (1997). Tem experiência na área de História e Antropologia, assim como com populações tradicionais, planejamento, gestão ambiental e territorial. Seus interesses estão voltados para a docência de ensino, atuação em meio ambiente e mudanças climáticas, programas e projetos internacionais e nacionais, história das Plantas Sagradas (especialmente ayahuasca), cosmologias, xamanismo, povos e comunidades tradicionais, patrimônio histórico e cultural, e ordenamento territorial. É sócio da Associação Nacional dos Professores Universitários de História (ANPUH), Associação Brasileira de História Oral (ABHO), da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), e da Sociedade Brasileira de História da Educação (SBHE).

Francisco Savoi de Araujo é mestre em Antropologia pela Universidade Federal da Bahia, tendo como interesse de pesquisa o diálogo entre a religião do Santo Daime e a cultura Rastafari. Desde o ano de 2012 vem atuando na produção científica sobre questões transversais às grandes áreas da Antropologia da Religião, política de drogas, direitos humanos, diáspora africana nas Américas, estudos africanos, cultura amazônica e Novos Movimentos Religiosos, com a publicação de artigos em revistas especializadas e participação em congressos nacionais e internacionais.

Lígia Duque Platero é Associada de Programas Educativos do Instituto Chacruna. Ela tem uma formação interdisciplinar em história, antropologia e Estudos Latino-americanos. Ela possui bacharelado (2005) e licenciatura (2006) em história pela Universidade de São Paulo (USP). Ela possui um mestrado em Estudos Latino-americanos pela Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM, 2012), na Cidade do México, abordando as políticas indigenistas de educação no Brasil e no México, no período entre 1940 e 1970. Ela possui um doutorado em Ciências Humanas, com ênfase em antropologia cultural (2018), pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ/IFCS). Sua tese abordou as reinvenções, transformações e trocas em meio à aliança entre o povo indígena Yawanawá (Pano) e uma igreja urbana do Santo Daime. Seus principais interesses de pesquisa são: ayahuasca, medicinas da floresta e relações interétnicas, mudanças culturais, interseccionalidade, Yawanawá (Pano), Santo Daime, turismo étnico, indigenismo e direitos indígenas. É pesquisadora associada do NEIP.

Bruno Ramos Gomes é um psicólogo com mestrado em Saúde Pública pela Escola de Saúde Pública da Universidade de São Paulo e doutorado em Saúde Pública pela Universidade de Campinas. Em seu mestrado, ele pesquisou o uso da ayahuasca na recuperação de pessoas em situação de rua e usuários de drogas. Em seu doutorado, realizou um acompanhamento qualitativo de 12 meses com pacientes em tratamento para dependência química e depressão. Há 15 anos, ele vem ajudando pacientes a integrar a ibogaína e a ayahuasca em seus processos terapêuticos. Bruno também é iniciado nos tradicionais Bwiti Fang e Mboumba Eyano Bwiti, atuando na intersecção das iniciações em iboga para ocidentais no Brasil desde 2019. É autor de dois livros: O Uso Ritual da Ayahuasca na Recuperação de Pessoas em Situação de Rua e Iboga e Ibogaína no Brasil: Uso Contemporâneo de uma Planta Ancestral. É pesquisador afiliado ao Instituto Chacruna e à Associação Psicodélica do Brasil.

Saulo Conde Fernandes é doutor em Antropologia pela UFMG, mestre em Antropologia pela UFGD e graduado em História pela UFMS. Realizou pesquisa no âmbito das religiões afro-brasileiras no mestrado. É filiado ao Santo Daime desde 2009, e possui artigos e capítulos sobre as alianças xamânicas em torno do consumo ritual das medicinas da floresta, e da relação entre a Umbanda e o Santo Daime. Sua tese de doutorado, intitulada "Os antropólogos do Daime: a bebida professora e as etnografias", apresenta uma análise sobre o fazer etnográfico em conjunto com a bebida professora (Daime). É coorganizador da coletânea Santo Daime e Diversidade.

Núbia Bento Rodrigues é uma antropóloga viciada em escrever ficções. É professora do Departamento de Antropologia, da Universidade Federal da Bahia. Entre seus trabalhos acadêmicos, destacam-se teoria antropológica, antropologia da literatura, antropologia da cultura afro-brasileira, teorias da narrativa e biografias. Pela Editora Kazuá publicou prosas de ficção, Roteirista e Personagem (2016) e Quem Vigia o Vigia (2018); prosa de ficção infanto-juvenil, Sítio Caipora (2017); dramaturgia, Um certo Nelson Rodrigues ou a Soma de Nossas Obsessões (2018). Entre seus escritos inéditos, estão contos, versos e romances. Mora em Salvador, Cidade da Baía de Todos-os-Santos.

Next
Next

10 Anos do Instituto Chacruna nas Américas: Pesquisa, Educação e Justiça Social no Campo Psicodélico