Aurora psicodélica na borda do sul global
Por Felipe De Nadai
Este é um momento histórico para a Associação Psicodélica do Brasil, e de bom grado o usaríamos para divulgar nosso próprio trabalho: dois congressos gratuitos que reuniram, somados, mais de 800 participantes, com palestras que foram dos saberes indígenas a uma leitura do mercado psicodélico pela teoria marxista da dependência, feita por um dos nossos diretores. Poderíamos nos alongar sobre como cada hora desse trabalho é voluntária e ninguém recebe um centavo, ou sobre o terceiro e último volume de Psicodélicos no Brasil, que sai em novembro.
Mas temos problemas maiores. O Brasil realiza a décima eleição presidencial direta desde o fim da ditadura militar, em 1985: o primeiro turno foi em 4 de outubro, e o segundo é em 25 de outubro.
Aurora psicodélica. Arte da APB sobre foto da posse de Lula, Brasília, 1º de janeiro de 2023.
O país está rachado ao meio. Flávio Bolsonaro, o candidato da direita, terminou o primeiro turno na frente, com cerca de 47% dos votos válidos, acima de Lula, e uma vitória de Flávio ligaria Brasília diretamente à administração Trump.
Vale saber quem é esse homem. Em 2020 o Ministério Público do Rio denunciou Flávio Bolsonaro, seu ex-assessor Fabrício Queiroz e outras quinze pessoas por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. É a rachadinha: segundo os promotores, funcionários do gabinete dele na Assembleia Legislativa do Rio, onde foi deputado antes de chegar ao Senado, devolviam parte do salário ao chefe. Naquela folha estavam a mãe e a mulher de Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope apontado pelos promotores como chefe do Escritório do Crime, o grupo de matadores de aluguel da zona oeste do Rio. Anos antes, como deputado estadual, Flávio lhe havia concedido a Medalha Tiradentes, a maior honraria da Assembleia; em 2020 a polícia matou Nóbrega na Bahia, a mais de mil quilômetros dali, onde ele estava escondido.
A denúncia criminal foi rejeitada em 2022, depois que provas centrais foram anuladas, sem julgamento do mérito das acusações, e uma ação cível separada veio em 2023, sem Flávio entre os réus. Em setembro de 2026 Gilmar Mendes, ministro do Supremo, manteve a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Danielle da Nóbrega, ex-mulher de Adriano, nessa ação cível. Não se trata de um homem que apenas andou em más companhias entre as milícias cariocas, as máfias de policiais e ex-policiais que controlam bairros inteiros da cidade. É a contabilidade da própria milícia, passando por um gabinete de senador e agora concorrendo à Presidência.
Flávio Bolsonaro, candidato da direita, no retrato oficial do Senado. Foto: Agência Senado, 2019, via Wikimedia Commons, CC BY.
Sobre drogas, a posição dele é pública. Em abril de 2024 o Senado aprovou uma proposta de emenda constitucional que tornaria crime a posse de qualquer quantidade de qualquer droga ilícita, inscrita no capítulo dos direitos da nossa Constituição e redigida para atropelar o Supremo, que estava prestes a descriminalizar o porte de maconha para uso pessoal. Flávio votou a favor e ironizou os ministros da tribuna. Enquanto visitantes estrangeiros compram medicina ancestral como retiro de luxo, essa emenda gravaria na Constituição brasileira que um moleque preto de comunidade com três gramas no bolso é criminoso. Ayahuasca para o gringo, cadeia para o pobre.
Sobre drogas, a posição dele é pública. Em abril de 2024 o Senado aprovou uma proposta de emenda constitucional que tornaria crime a posse de qualquer quantidade de qualquer droga ilícita, inscrita no capítulo dos direitos da nossa Constituição e redigida para atropelar o Supremo, que estava prestes a descriminalizar o porte de maconha para uso pessoal. Flávio votou a favor e ironizou os ministros da tribuna. Enquanto visitantes estrangeiros compram medicina ancestral como retiro de luxo, essa emenda gravaria na Constituição brasileira que um moleque preto de comunidade com três gramas no bolso é criminoso. Ayahuasca para o gringo, cadeia para o pobre.
O irmão cuida da frente externa. Eduardo Bolsonaro, então deputado federal, mudou-se para os Estados Unidos e fez lobby na Casa Branca contra o próprio país, às claras. A conta chegou em julho de 2025: sanções da Lei Magnitsky, o instrumento que o Congresso americano criou para punir violadores de direitos humanos, contra Alexandre de Moraes, o ministro que preside a investigação do golpe, somadas a uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada numa carta assinada por Trump que dava como motivo um processo criminal. Eduardo perdeu o mandato em dezembro de 2025 por excesso de faltas às sessões. Uma família brasileira pediu a uma potência estrangeira que punisse o Brasil por processá-la, e a potência atendeu.
Lula se recusou a pôr o julgamento de Bolsonaro na mesa de negociação. “Aceitamos negociação, e não imposição”, disse quando Trump ameaçou impor as tarifas. Continuou conversando com Washington sem reconhecer aos Estados Unidos o direito de ditar o que um tribunal brasileiro poderia fazer, e até dezembro de 2025 os americanos haviam retirado várias tarifas e suspendido as sanções contra Moraes, enquanto a condenação de Bolsonaro seguia de pé. O que faz de Lula uma ameaça para Trump é o exemplo: um país do sul global que negocia sem se ajoelhar.
O que faz de Lula uma ameaça para Trump é o exemplo: um país do sul global que negocia sem se ajoelhar.
O Brasil teve seu próprio 6 de janeiro, sem o xamanismo neonazista. Veio dois anos depois do americano, em 8 de janeiro de 2023, quando alguns milhares de pessoas invadiram o Supremo, o Congresso e o Palácio do Planalto e passaram a depredá-los.
Quando Jair Bolsonaro, pai de Flávio, perdeu a eleição de 2022, recusou-se a reconhecer a derrota. Seus apoiadores acamparam diante dos quartéis em dezenas de cidades, à espera de que os generais interviessem, enquanto um slogan corria pela ala mais lunática da extrema direita prometendo que Bolsonaro pai estava prestes a acionar a Aeronáutica, o Exército e a Marinha para anular o resultado e "restaurar a ordem". As semanas anteriores a janeiro trouxeram bombas, carros incendiados e um plano frustrado de explodir um caminhão-tanque no aeroporto de Brasília, e nada disso foi isolado.
Jacob Chansley, o "Xamã do QAnon", dentro do Capitólio dos EUA em 6 de janeiro de 2021. Foto: Manuel Balce Ceneta/AP.
A Polícia Federal encontrou na casa do ex-ministro da Justiça de Bolsonaro um rascunho de decreto, a chamada minuta do golpe. Ela colocaria o TSE, o órgão que supervisiona as eleições brasileiras, sob controle federal emergencial e entregaria a uma comissão nomeada pelo governo a revisão do resultado presidencial. Um segundo documento, impresso dentro do Palácio do Planalto em novembro de 2022 por um general da reserva e discutido na casa de Braga Netto, vice na chapa de Bolsonaro e também general quatro estrelas da reserva, levava o título de Punhal Verde e Amarelo. Oficiais das forças especiais do Exército o redigiram como plano operacional, nomeando cada alvo (o presidente eleito Lula, o vice Geraldo Alckmin, o ministro Alexandre de Moraes) e definindo método, data e equipe de cada assassinato. Para a acusação, Bolsonaro sabia e concordou.
Oficiais das forças especiais do Exército o redigiram como plano operacional, nomeando cada alvo (o presidente eleito Lula, o vice Geraldo Alckmin, o ministro Alexandre de Moraes) e definindo método, data e equipe de cada assassinato. Para a acusação, Bolsonaro sabia e concordou.
Nada parecido com o que veio depois tinha acontecido aqui. Em setembro de 2025 o Brasil condenou um ex-presidente por tentativa de golpe de Estado a 27 anos e 3 meses de prisão e, pela primeira vez na história, condenou também a própria cúpula militar: três generais quatro estrelas e um almirante, homens que comandaram o GSI, o Ministério da Defesa e a Marinha, com penas entre 19 e 26 anos e meio. Na América Latina, general que tenta tomar um país costuma se aposentar com pensão integral; esses foram presos. Dois deles entraram em custódia em novembro de 2025, sob protocolo negociado diretamente entre o Supremo e o comando do Exército, e Bolsonaro foi preso no mesmo mês, depois de usar um ferro de solda na tornozeleira eletrônica pouco antes de começar a cumprir pena. Décadas de impunidade para golpistas terminaram numa cela em Brasília.
Jair Bolsonaro na sala da Primeira Turma do STF em 25 de março de 2025, primeiro dia do julgamento que o tornou réu por tentativa de golpe. Foto: Gustavo Moreno/STF, CC BY.
No fim das contas, é disso que trata a urna de 25 de outubro.
Volte a 1º de janeiro de 2023, o dia em que Lula vestiu a faixa presidencial. Pela tradição, quem sai entrega a faixa a quem entra, mas Bolsonaro não estava lá: já tinha voado para a ensolarada Flórida, momento curioso para quem não tem nada a temer. Então representantes do povo subiram a rampa e a entregaram a Lula em seu lugar: uma catadora negra, o líder indígena cacique Raoni, uma criança, um metalúrgico e um ativista com deficiência.
Pela tradição, quem sai entrega a faixa a quem entra, mas Bolsonaro não estava lá: já tinha voado para a ensolarada Flórida, momento curioso para quem não tem nada a temer. Então representantes do povo subiram a rampa e a entregaram a Lula em seu lugar: uma catadora negra, o líder indígena cacique Raoni, uma criança, um metalúrgico e um ativista com deficiência.
Lula sobe a rampa do Planalto com quem lhe entregou a faixa, entre eles a catadora Aline Sousa, o cacique Raoni Metuktire e o ativista Ivan Baron, além da cadela Resistência. Brasília, 1º de janeiro de 2023.
Lula faz 81 anos neste mês. Venceu o terceiro mandato em 2022 depois de passar 580 dias preso por condenações por corrupção que o Supremo mais tarde anulou por incompetência do juízo; em outra decisão, o tribunal reconheceu que o juiz que o mandou para a prisão foi parcial.
Esse juiz, Sergio Moro, tornou-se ministro da Justiça de Bolsonaro. Pediu demissão em abril de 2020, acusando Bolsonaro pai de interferência política na Polícia Federal, e num livro publicado no ano seguinte o acusou de enfraquecer o combate à corrupção para proteger Flávio. Hoje é aliado de Flávio e governador eleito do Paraná.
Luiz Inácio Lula da Silva é só mais um Silva, o sobrenome mais comum que temos: um Smith, um Mohammed, um Nagy, um Hernández. Todo país tem os seus, sob um nome ou outro, gente que encontrou a fome e a morte muito cedo e sobreviveu simplesmente porque se recusou a morrer.
Luiz Inácio Lula da Silva é só mais um Silva, o sobrenome mais comum que temos: um Smith, um Mohammed, um Nagy, um Hernández. Todo país tem os seus, sob um nome ou outro, gente que encontrou a fome e a morte muito cedo e sobreviveu simplesmente porque se recusou a morrer.
Os dois primeiros mandatos, de 2003 a 2010, criaram um punhado de programas. O Bolsa Família, transferência de renda paga à mãe com a condição de manter as crianças na escola e com as vacinas em dia, alcançava cerca de 12,7 milhões de famílias ao fim do segundo mandato. O Fome Zero foi a estratégia de segurança alimentar que tirou o Brasil do Mapa da Fome da ONU em 2014. O ProUni ofereceu a estudantes de baixa renda bolsas em universidades privadas em troca de isenções fiscais para as instituições, enquanto a expansão da rede federal de universidades e institutos técnicos levou ao ensino superior os filhos de quem nunca terminou o primário. O Luz para Todos levou energia elétrica a milhões de domicílios rurais, o Minha Casa, Minha Vida construiu moradia popular em escala, e a luta pelas cotas raciais, a versão brasileira das ações afirmativas, mudou quem senta numa sala de aula brasileira.
Entre 2010 e 2026 aconteceram algumas coisas. Os estilhaços da crise financeira de 2008 chegaram aqui; as redes sociais explodiram e, com elas, as câmeras de selfie, o panóptico, os influenciadores e a pseudodescentralização da mídia. Algoritmos. Os psicodélicos começaram a aparecer nas redes. Steve Bannon. O Facebook virou Meta. Tesla, Cambridge Analytica, Gotham, Palantir. Trump I. Musk. A pandemia, as vacinas, Fauci. Crimeia, Ucrânia, Irã. Trump II. As bets. Palestina. Gaza. Gaza acabou. Golfo da América. IA, OpenAI, Anthropic. E então Trump determinou que se acelerasse o acesso a tratamentos psicodélicos, o FDA concedeu vouchers de prioridade nacional a empresas que desenvolvem tratamentos com psilocibina e metilona, e a Eli Lilly comprou a AtaiBeckley com um pagamento inicial de 2,8 bilhões de dólares.
O Brasil sobreviveu a Bolsonaro pai. No 8 de janeiro as instituições aguentaram, e mais de 800 golpistas já foram condenados desde então.
Na Amazônia Legal, a região administrativa que abrange nove estados brasileiros, o desmatamento anual subiu de 7.536 km² em 2018, ano anterior à posse de Bolsonaro, para 13.038 km² em 2021, a maior taxa em quinze anos: uma área maior que a da Jamaica inteira, perdida em doze meses. Com Lula voltou a cair, para 9.064 km² em 2023, 6.518 km² em 2024 e 5.731 km² no ano até julho de 2025, a menor taxa em onze anos.]
Na Amazônia Legal, a região administrativa que abrange nove estados brasileiros, o desmatamento anual subiu de 7.536 km² em 2018, ano anterior à posse de Bolsonaro, para 13.038 km² em 2021, a maior taxa em quinze anos: uma área maior que a da Jamaica inteira, perdida em doze meses. Com Lula voltou a cair, para 9.064 km² em 2023, 6.518 km² em 2024 e 5.731 km² no ano até julho de 2025, a menor taxa em onze anos.
Mandatos presidenciais: Lula, até 2010; Dilma Rousseff, 2011–2016; Michel Temer, 2016–2018; Jair Bolsonaro, 2019–2022; Lula, desde 2023. Fonte: INPE, PRODES (taxas consolidadas). Os anos de referência vão de agosto a julho, de modo que os anos de transição abrangem dois governos. A série mede a perda anual de floresta, não especificamente o garimpo ilegal ou o desmatamento ilegal. A taxa anual de 2026 ainda não está disponível.
Os Yanomami, um dos maiores povos indígenas relativamente isolados da América do Sul, cujo território brasileiro acompanha a fronteira com a Venezuela e tem mais ou menos o tamanho de Portugal, foram deixados à fome enquanto aquela curva subia. Quando Lula assumiu, em janeiro de 2023, o governo declarou emergência em saúde pública no território: dezenas de milhares de pessoas atingidas por malária, contaminação por mercúrio e desnutrição, tudo isso no rastro de cerca de 20 mil garimpeiros ilegais.
Lula com uma criança yanomami desnutrida em Boa Vista, 21 de janeiro de 2023, na semana em que o governo declarou emergência de saúde pública no território. Foto: Palácio do Planalto, CC BY 2.0.
O garimpo ilegal rasga a floresta e envenena os rios com mercúrio, e o ouro não fica por ali. Documentos da Polícia Federal revelados em 2022 acusavam uma refinadora italiana, a Chimet, de comprar ouro por meio de uma comercializadora que teria sido abastecida por garimpeiros ilegais na Amazônia; Apple, Amazon, Microsoft e Alphabet listavam essa refinadora em suas cadeias de fornecedores, e a Chimet disse ter rompido com a comercializadora ao saber das acusações. A floresta entra no mercado global como ouro, enquanto seus povos entram como cenário para o despertar espiritual de outra pessoa. O que significa respeitar a medicina ancestral se quem a mantém viva é deixado bebendo água envenenada?
O garimpo ilegal rasga a floresta e envenena os rios com mercúrio, e o ouro não fica por ali. Documentos da Polícia Federal revelados em 2022 acusavam uma refinadora italiana, a Chimet, de comprar ouro por meio de uma comercializadora que teria sido abastecida por garimpeiros ilegais na Amazônia; Apple, Amazon, Microsoft e Alphabet listavam essa refinadora em suas cadeias de fornecedores, e a Chimet disse ter rompido com a comercializadora ao saber das acusações. A floresta entra no mercado global como ouro, enquanto seus povos entram como cenário para o despertar espiritual de outra pessoa. O que significa respeitar a medicina ancestral se quem a mantém viva é deixado bebendo água envenenada?
O que Lula queria era colocar o pobre no orçamento, e colocou, ao mesmo tempo em que deixou muitos banqueiros espetacularmente ricos. Não nos faltam críticas ao seu governo, mas ele respeita nossa Constituição e a separação entre Executivo, Legislativo e Judiciário.
Agora olhe para o terreno legal sob todos esses retiros. No Brasil, o uso religioso da ayahuasca é reconhecido por uma resolução de 2010 do Conad, o Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas, e em setembro de 2026 o MPF no Acre, o estado amazônico na fronteira com o Peru e a Bolívia onde nasceram nossas religiões ayahuasqueiras, recomendou que o conselho e a Anvisa, nossa equivalente ao FDA, reabram esse enquadramento e criem grupos de trabalho para ouvir comunidades indígenas e igrejas ayahuasqueiras. A resolução não se estende à psilocibina, que está na lista de substâncias proscritas da Anvisa; cultivadores de cogumelo já foram presos por isso. A Jamaica, por sua vez, nunca proibiu a psilocibina, e retiros na ilha vendem experiências com cogumelos a visitantes estrangeiros enquanto os moradores lutam pelo acesso a praias bloqueadas por empreendimentos privados e resorts. Legal onde serve ao cliente estrangeiro, criminoso onde encosta na gente.
Imagine uma assinatura psicodélica: LSD com ou sem anúncios, o plano mais barato interrompendo a experiência a cada quinze minutos com a mensagem de um parceiro. Terapia psicodélica, com anúncios ou premium. Quem banca essa indústria quer um mundo em que ninguém possui nada e tudo é assinatura, em que seguimos dependentes do maquinário deles para levantar nossas casas, da tecnologia deles para vigiar nossas fronteiras e das fábricas deles para extrair e encapsular nossos medicamentos.
Querem nos vender a cura de um trauma que o próprio império deles fabricou.
Imagine uma assinatura psicodélica: LSD com ou sem anúncios, o plano mais barato interrompendo a experiência a cada quinze minutos com a mensagem de um parceiro. Terapia psicodélica, com anúncios ou premium. Quem banca essa indústria quer um mundo em que ninguém possui nada e tudo é assinatura, em que seguimos dependentes do maquinário deles para levantar nossas casas, da tecnologia deles para vigiar nossas fronteiras e das fábricas deles para extrair e encapsular nossos medicamentos.
Querem nos vender a cura de um trauma que o próprio império deles fabricou.
Se existe uma aliança psicodélica que vale a luta, ela vai na direção contrária, e começa pela derrota da direita no Brasil, o único jeito de manter a floresta de pé junto com quem cuida dela e com cada animal e planta que vive ali.
A ayahuasca não acontece sozinha, e o cipó não chega por conta própria à cuia de ninguém. Ele é plantado, propagado por estaca, cuidado por anos, colhido, macerado e cozido por horas com a folha. Mãos humanas fazem esse trabalho, e essas mãos são das pessoas que mais sofrem.
Incomoda-nos que, nos governos Obama e Biden, os bombardeios a outros países, os ataques de drone e o embargo a Cuba tenham seguido em frente. Pior ainda é ouvir a palavra “psicodélicos” na boca de Trump enquanto a mesma administração reúne governos latino-americanos em torno de sua campanha contra “narcoterroristas” e classifica as duas maiores facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
A guerra às drogas segue viva dentro da terapia assistida por psicodélicos.
Incomoda-nos que, nos governos Obama e Biden, os bombardeios a outros países, os ataques de drone e o embargo a Cuba tenham seguido em frente. Pior ainda é ouvir a palavra “psicodélicos” na boca de Trump enquanto a mesma administração reúne governos latino-americanos em torno de sua campanha contra “narcoterroristas” e classifica as duas maiores facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
A guerra às drogas segue viva dentro da terapia assistida por psicodélicos.
Este país é palco de mortes e encarceramentos erguidos sobre uma lorota contada por um norte-americano em 1971, o ano em que Nixon declarou as drogas inimigo público número um; um estudo do Ipea sobre processos de tráfico com sentença em 2019 constatou que a maioria envolvia pequenas quantidades. O Brasil não é um refúgio seguro para usuários de drogas, e mesmo assim é aqui que visitantes estrangeiros compram experiências psicodélicas de luxo.
O Brasil não é um refúgio seguro para usuários de drogas, e mesmo assim é aqui que visitantes estrangeiros compram experiências psicodélicas de luxo.
Riqueza de espécies no planeta em 2025, no mapa do IBGE com o sul para cima e o Brasil no centro. Fonte: IBGE.
Se não descriminalizarmos todas as drogas, tudo isso é em vão.
Se seguirmos apoiando um governo que embarga uma ilha inteira, sequestra presidentes de outras nações, começa guerras e ataca países soberanos…
Se não barrarmos a direita no Brasil,
Se não reelegermos Lula…
aí os gringos vão ter muita terra para os data centers deles.
E não é isso que a gente quer.
Psicodélicos pelo Lula.
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Referências:
Links verificados em 11 de outubro de 2026*
Poder360, 5 out. 2026 — Bolsonarismo vira a diferença sobre Lula em relação a 2022. https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/bolsonarismo-vira-a-diferenca-sobre-lula-em-relacao-a-2022/
Correio Braziliense, 4 nov. 2020 — MP denuncia Flávio Bolsonaro e Queiroz por esquema de ‘rachadinha’. https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2020/11/amp/4886510-mp-denuncia-flavio-bolsonaro-e-queiroz-por-esquema-de-rachadinha.html
Poder360, 9 fev. 2020 — Ex-PM suspeito no caso Marielle é morto em operação policial na Bahia. https://www.poder360.com.br/brasil/miliciano-suspeito-no-caso-marielle-e-morto-na-bahia/
InfoMoney (com Reuters), 17 maio 2022 — TJ do Rio arquiva denúncia do MP contra Flávio Bolsonaro em caso das ‘rachadinhas’. https://www.infomoney.com.br/?p=1856409
Metrópoles, 29 set. 2026 — Gilmar mantém quebra de sigilo de viúva de miliciano do gabinete de Flávio. https://www.metropoles.com/colunas/andreza-matais/gilmar-mantem-quebra-de-sigilo-de-viuva-de-miliciano-do-gabinete-de-flavio
Poder360, 16 abr. 2024 — Em resposta ao STF, Senado aprova PEC das drogas em 2 turnos. https://www.poder360.com.br/congresso/em-resposta-ao-stf-senado-aprova-pec-das-drogas-em-1o-turno
Terra — ‘Homenagem à harmonia e independência entre Poderes’, ironiza Flávio Bolsonaro sobre PEC das Drogas. https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/homenagem-a-harmonia-e-independencia-entre-poderes-ironiza-flavio-bolsonaro-sobre-pec-das-drogas,39b8e5231fb56ad1bef26ce3a358c2f3oox4be3a.html
IstoÉ Dinheiro, 30 jul. 2025 — EUA acionam Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes. https://istoedinheiro.com.br/lei-magnitsky-alexandre-de-moraes
Poder360, 9 jul. 2025 — Trump anuncia tarifa de 50% para produtos do Brasil. https://www.poder360.com.br/poder-internacional/trump-anuncia-tarifa-de-50-para-produtos-do-brasil/
Metrópoles, 18 dez. 2025 — Motta cassa Eduardo Bolsonaro e Ramagem em decisão da Mesa Diretora. https://www.metropoles.com/brasil/eduardo-bolsonaro-ramagem-cassacao
Correio Braziliense, 17 jul. 2025 — Lula diz estar aberto a conversas com Trump: ‘Aceitamos negociação e não imposição’. https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2025/07/7203426-lula-diz-estar-aberto-a-conversar-com-trump-aceitamos-negociacao-e-nao-imposicao.html
InfoMoney, 12 dez. 2025 — EUA retiram Alexandre de Moraes da lista de sancionados pela Lei Magnitsky. https://www.infomoney.com.br/politica/eua-retiram-alexandre-de-moraes-da-lista-de-sancionados-pela-lei-magnitsky/
Metrópoles, 27 jun. 2025 — Após ordem de Moraes, polícia prende homem que armou bomba em Brasília. https://www.metropoles.com/brasil/apos-ordem-de-moraes-policia-prende-homem-que-armou-bomba-em-brasilia
InfoMoney, 12 jan. 2023 — PF encontra minuta na casa de Anderson Torres para Bolsonaro mudar resultado da eleição. https://www.infomoney.com.br/?p=2030214
CNN Brasil, 25 jul. 2025 — ‘Punhal Verde e Amarelo’: entenda plano para matar Lula, Alckmin e Moraes. https://www.cnnbrasil.com.br/politica/punhal-verde-e-amarelo-entenda-plano-para-matar-lula-alckmin-e-moraes/
InfoMoney, 11 set. 2025 — STF condena Bolsonaro a 27 anos de prisão em julgamento histórico. https://www.infomoney.com.br/?p=3020106
Exame, 17 dez. 2025 — Laudo da PF confirma tentativa de Bolsonaro de violar tornozeleira eletrônica. https://exame.com/brasil/laudo-da-pf-confirma-tentativa-de-bolsonaro-de-violar-tornozeleira-eletronica/
Agência Brasil, 1º jan. 2023 — Lula sobe a rampa do Planalto e recebe faixa presidencial. https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2023-01/lula-sobe-rampa-do-planalto-e-recebe-faixa-presidencial
Agência Brasil, 23 mar. 2021 — STF considera que Moro foi parcial nos processos de Lula. https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2021-03/stf-considera-que-moro-foi-parcial-nos-processos-de-lula
Estado de Minas, 24 abr. 2020 — Veja as acusações de Moro contra Bolsonaro durante pedido de demissão. https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2020/04/24/interna_politica,1141561/veja-as-acusacoes-de-moro-contra-bolsonaro-durante-pedido-de-demissao.shtml
Poder360, 4 out. 2026 — Sergio Moro é eleito governador do Paraná. https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/sergio-moro-e-eleito-governador-do-parana/
InfoMoney, 18 abr. 2026 — Trump afrouxa regras e libera pesquisa com psicodélicos nos EUA. https://www.infomoney.com.br/?p=3298607
Brazil Journal, 16 jul. 2026 — No M&A da ayahuasca e do MDMA, Eli Lilly paga US$ 2,8 bi pela AtaiBeckley. https://braziljournal.com/no-ma-da-ayahuasca-e-do-mdma-eli-lilly-paga-us-28-bi-pela-ataibeckley/
Agência Brasil, 8 jan. 2026 — STF já condenou mais de 800 réus pela trama golpista. https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2026-01/especial-81-stf-ja-condenou-mais-de-800-reus-pela-trama-golpista
INPE — Sistema do INPE aponta 5.731 km² de desmatamento na Amazônia em 2025. https://www.gov.br/inpe/pt-br/assuntos/ultimas-noticias/sistema-do-inpe-aponta-5-731-km2-de-desmatamento-na-amazonia-em-2025
Poder360, 21 jan. 2023 — Governo decreta emergência de saúde pública em terra Yanomami. https://www.poder360.com.br/brasil/governo-decreta-emergencia-de-saude-publica-em-terra-yanomami/
IstoÉ Dinheiro, 27 jul. 2022 — Apple e Microsoft são acusadas de comprar ouro ilegal da Amazônia. https://istoedinheiro.com.br/apple-e-microsoft-sao-acusadas-de-comprar-ouro-ilegal-da-amazonia
Bahia Notícias, 8 set. 2026 — MPF recomenda revisão das regras sobre uso da ayahuasca no Brasil. https://www.bahianoticias.com.br/justica/noticia/75318-mpf-recomenda-revisao-das-regras-sobre-uso-da-ayahuasca-no-brasil
Diário do Nordeste, 28 maio 2026 — CV e PCC são classificados como organizações terroristas, anunciam EUA. https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/ultima-hora/mundo/cv-e-pcc-sao-classificados-como-organizacoes-terroristas-anunciam-eua-1.3767224
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Capa de Mulinga.
Felipe de Nadai
É pós graduado em Psicologia Hospitalar, pesquisador de psicodélicos e sexualidade. Trabalhou em hospitais gerais de trauma durante a Pandemia da COVID-19. Foi fundador do Núcleo Sul da Associação Psicodélica do Brasil (APB) e hoje é membro de seu Núcleo Financeiro e Conselho Diretor. Membro da comissão organizadora dos 1° e 2° Congresso Brasileiro sobre Psicodélicos. Atual conselheiro do CRP-PR no Conselho Estadual de Política Sobre Drogas do Paraná (CONESD), coordenador das comissões de Redução de Danos do conselho de drogas paranaense.