Aniversário de 10 anos do Instuto Chacruna

Por Daniela Monteiro

"É uma honra estarmos aqui, no Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro – IPUB –, para celebrar os 10 anos do Instituto Chacruna. É especialmente significativo fazê-lo neste espaço, que se dedica ao cuidado em saúde mental, à produção de conhecimento e à formação de profissionais que atuam na fronteira entre a ciência e o sofrimento humano.

Para nós da Associação Psicodélica do Brasil, estar aqui hoje é, acima de tudo, o reconhecimento de uma amizade que atravessou fronteiras. Uma amizade que começou antes dos primórdios do Instituto Chacruna, através do NEIP - Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos, através da participação de dois de nossos fundadores, Sandro Rodrigues e Fernando Beserra. Enquanto o Instituto Chacruna iniciava seu trabalho nos Estados Unidos, a APB começava sua trajetória nas ruas da Lapa, no Rio de Janeiro, entre oficinas, marchas da maconha e o sonho de construir uma política de drogas mais justa e humana.

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Esses 10 anos não foram fáceis. E não são fáceis agora. Vivemos um momento particularmente delicado para a política de drogas da América Latina. Assistimos, com preocupação, ao recrudescimento de velhas lógicas intervencionistas – com ações dos Estados Unidos em diversos países latino-americanos, sob justificativas que desconsideram nossas soberanias, nossas histórias, nossa ciência e nossas estratégias de cuidado.

No Brasil, uma medida recente do governo Trump classificou o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas – uma normativa que, para além do simbolismo, tem impactos concretos e preocupantes em todo o território nacional e latino-americano. Porque, ao enquadrar o crime organizado como terrorismo, abrem-se precedentes perigosos para a criminalização de movimentos sociais, de comunidades periféricas e de toda uma luta histórica que sempre buscou tratar a questão das drogas sob a ótica da saúde pública, dos direitos humanos e da redução de riscos e danos.

É nesse cenário desafiador que os trabalhos de organizações como o Instituto Chacruna e a APB se tornam ainda mais necessários. Porque, enquanto o proibicionismo avança com sua retórica de guerra, nós seguimos firmes na construção de outra narrativa: uma narrativa que parte da ciência, dos saberes ancestrais, das experiências de usuários e usuárias, e da convicção de que os psicodélicos e as medicinas da floresta/medicinas maestras podem ser compreendidos, protegidos e honrados – e não estigmatizados e perseguidos.

O Instituto Chacruna tem sido fundamental nesse processo. Com sua produção científica de alta qualidade, sua capacidade de tornar o conhecimento acessível, e sua incansável defesa da justiça psicodélica – amplificando vozes de mulheres, pessoas queer, povos indígenas, pessoas negras e periféricas, e do Sul Global. Vocês nos ensinaram que a ponte entre o uso cerimonial tradicional e a ciência psicodélica emergente não é apenas possível – é necessária.

O Instituto Chacruna tem sido fundamental nesse processo. Com sua produção científica de alta qualidade, sua capacidade de tornar o conhecimento acessível, e sua incansável defesa da justiça psicodélica – amplificando vozes de mulheres, pessoas queer, povos indígenas, pessoas negras e periféricas, e do Sul Global. Vocês nos ensinaram que a ponte entre o uso cerimonial tradicional e a ciência psicodélica emergente não é apenas possível – é necessária.

E a APB, da sua parte, tem atuado no chão do Brasil real – na redução de danos em eventos e territórios, na psicoterapia de integração, na formação de profissionais, na luta por uma política de drogas que respeite a liberdade cognitiva e os direitos humanos. E temos aprendido, juntas, que a articulação regional é o nosso maior patrimônio.

As organizações da América Latina, quando atuam de forma conjunta e coordenada, podem construir respostas potentes para desafios que nos são comuns.

Que as organizações da América Latina, quando atuam de forma conjunta e coordenada, podem construir respostas potentes para desafios que nos são comuns.

Assim, nossas trajetórias paralelas, têm encontrado espaços de convergência, atuação conjunta e apoio interinstitucional, unidas por um propósito em comum: um mundo onde enteógenos e psicodélicos sejam integrados aos nossos sistemas sociais, legais e de saúde – de maneiras equitativas, justas e respeitosas.

Que os próximos 10 anos nos encontrem ainda mais articuladas. Que a América Latina – com suas dores, suas lutas e suas potências – seja cada vez mais protagonista nesse campo. E que a amizade entre o Instituto Chacruna e a APB continue sendo, como tem sido até aqui, um exemplo de que a confiança mútua e o trabalho conjunto podem florescer mesmo nos terrenos mais áridos.

Que os próximos 10 anos nos encontrem ainda mais articuladas. Que a América Latina – com suas dores, suas lutas e suas potências – seja cada vez mais protagonista nesse campo. E que a amizade entre o Instituto Chacruna e a APB continue sendo, como tem sido até aqui, um exemplo de que a confiança mútua e o trabalho conjunto podem florescer mesmo nos terrenos mais áridos.

Parabéns, Instituto Chacruna, por essa década de coragem, de realizações, de impacto e de cooperação. Contem com a Associação Psicodélica do Brasil. E que venham os próximos 10 anos – com mais justiça e mais esperança. O Instituto Chacruna tem sido fundamental nesse processo. Com sua produção científica de alta qualidade, sua capacidade de tornar o conhecimento acessível, e sua incansável defesa da justiça psicodélica – amplificando vozes de mulheres, pessoas queer, povos indígenas, pessoas negras e periféricas, e do Sul Global. Vocês nos ensinaram que a ponte entre o uso cerimonial tradicional e a ciência psicodélica emergente não é apenas possível – é necessária.

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"Protecting Sacred Plants, Advancing Psychedelic Justice"

(Em defesa das plantas sagradas, promovendo justiça psicodélica)

Capa de Mario Luna.


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