O caso que abalou o Céu do Mar

O julgamento e a absolvição de um padrinho do Santo Daime levantam questões sobre problemas sistêmicos na igreja.

Após um julgamento que se estendeu por vários meses e atraiu grande atenção da mídia, inclusive cobertura internacional, Paulo Roberto Silva e Souza, fundador da influente Igreja Céu do Mar, no Rio de Janeiro, foi absolvido por uma juiza em maio.

Durante o julgamento, iniciado em janeiro, Silva e Souza respondia a acusações de violação sexual mediante fraude e abuso psicológico. Acusado por sua ex-assistente pessoal, a advogada Jessica Nascimento, ele também foi suspenso da liderança da igreja pelo CEFLUSMME (Centro Eclético de Fluente Luz Universal Sebastião Mota de Melo), uma organização pertencente à linha mais ampla do Santo Daime do Padrinho Sebastião.

Controvérsias em torno de Silva e Souza continuaram mesmo após a absolvição. Classificado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que recorreu da decisão, como um “predador sexual”, seu julgamento tornou-se um ponto de tensão dentro da comunidade do Santo Daime em todo o mundo, levantando questões sobre poder, controle, relações de gênero e a necessidade de reformas mais amplas na igreja.

A história conturbada do Céu do Mar

Formado em psicologia pela Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, Silva e Souza teve suas primeiras experiências com o Santo Daime em 1976, quando trabalhava na Amazônia para o governo brasileiro. Após se divorciar de sua primeira esposa, casou-se com Nonata, filha do influente Padrinho Sebastião Mota de Melo, fundador da linhagem da Igreja do Culto Eclético da Fluente Luz Universal (ICEFLU) e da vila Céu de Mapiá. Essa aliança proporcionou a Silva e Souza acesso direto à família de Nonata, considerada uma das mais poderosas dentro da organização do Santo Daime.

Em 1982, Silva e Souza fundou o Céu do Mar, no Rio de Janeiro, marcando a criação da primeira igreja do Santo Daime fora da Amazônia. Sua base urbana contribuiu para o crescimento de sua influência e reputação, ampliando a visibilidade pública do Santo Daime para além do Brasil, especialmente nos Estados Unidos.

Como líder religioso, Silva e Souza ganhou proeminência em círculos de grande visibilidade, levando o Santo Daime a um público internacional por meio de viagens ao exterior e de sua participação em conferências. Em 1998, por exemplo, a MAPS publicou uma carta do membro Maxi Cohen relatando uma experiência com Silva e Souza e afirmando que ele era “responsável por levar a ayahuasca, por meio do Santo Daime, ao Rio, à Europa, ao Japão, à América do Norte e, em breve, à África”.

Em meio à ampliação da influência de Silva e Souza, começaram a surgir alegações de abuso de poder. A primeira ruptura oficialmente registrada ocorreu em 2002, quando o Céu do Montreal, no Canadá - juntamente com várias outras igrejas anteriormente afiliadas ao Céu do Mar - encerrou seus vínculos com a organização.

Em dezembro de 2007, teve início uma investigação oficial sobre Silva e Souza conduzida pelo Centro Eclético de Fluente Luz Universal Rita Gregório de Melo – América do Norte (CEFLURGEM-AN), instituição responsável pela maioria das igrejas do Santo Daime nos Estados Unidos. O grupo observou uma “aparência de má conduta sexual em uma relação ministerial” e afirmou ter recebido relatos de comportamentos inadequados que indicavam “um padrão de abuso”.

Dois anos depois, Silva e Souza voltou a conduzir cerimônias nos Estados Unidos, após expressar arrependimento e afirmar que suas ações haviam ocorrido devido à influência de espíritos, os quais, segundo ele, teria curado por meio do Daime. Naquele período, ele também atuou ativamente na arrecadação de fundos para sua igreja e para o Santuário Espiritual Guananshe, retiro espiritual de sua família.

Em meio a esses escândalos, Silva e Souza continuou a conquistar espaço na comunidade espiritual global. Em 2023, foi um dos palestrantes convidados da programação da Tibet House The Art of Dying and Living (no mesmo ano em que Nascimento começou a conversar com advogados). Em 2024, participou da conferência do Institute of Noetic Sciences. A programação o descrevia como uma “figura renomada no campo do trabalho psicoespiritual junto a comunidades amazônicas”.

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Uma cultura de silêncio

Os acusadores alegam que Silva e Souza perpetrou, durante anos, diversos episódios de assédio, manipulação e abuso sexual contra membros da comunidade, incluindo funcionários. As acusações de Nascimento, apresentadas conjuntamente com o Ministério Público do Rio de Janeiro, não foram, segundo a Dra. Jessica Rochester, fundadora e Madrinha do Céu do Montreal, uma surpresa, considerando o “longo histórico de abusos por parte de... Silva e Souza”.

Nascimento ingressou no Céu do Mar em 2015. Em 2020, começou a trabalhar como assistente pessoal do padrinho e, em 2021, tornou-se diretora executiva de sua ONG. Ela afirma que os abusos começaram em abril de 2022, data também noticiada pelo O Globo. Em dezembro daquele ano, deixou a igreja após ser expulsa pela Madrinha Nonata Melo e Souza, esposa de Silva e Souza, como parte do que descreve como uma campanha pública de humilhação. Segundo Nascimento, que conversou com o Chacruna com o auxílio de uma tradutora, “ela silencia as mulheres e abusa delas religiosamente” e a assediava por meio de ligações e mensagens repetidas quando suspeitava que Nascimento estivesse mantendo uma relação sexual com seu marido.

“Ela costumava dizer que eu tinha destruído a família dela e ameaçava mostrar minha foto para toda Mapiá, que é um núcleo de poder da religião do Santo Daime e onde vive a família real, para que eu nunca mais fosse bem-vinda lá”, afirma Nascimento. A expulsão do Céu do Mar a isolou pessoal e profissionalmente, relata.

Nenhuma acusação formal foi apresentada contra Melo e Souza.

A história é familiar para Isabela Augusto de Lima, outra suposta vítima de Silva e Souza que prestou depoimento como testemunha no julgamento de Nascimento. Augusto de Lima contou ao Chacruna que começou a trabalhar com Silva e Souza em 1984, adquirindo, em 1986, o terreno onde a igreja foi construída. Ela afirma ter sido abusada por Silva e Souza e ter testemunhado frequentemente os maus-tratos que ele dispensava a outros seguidores. Ela deixou a igreja em 1992, mas não falou sobre os supostos abusos até o julgamento de Jessica.

“Havia uma cultura na igreja dele de acusar todas as mulheres de ir atrás dele e ficar correndo atrás dele, mas eu conseguia ver o que estava acontecendo. Era sempre ele que ia atrás dessas mulheres, e eu testemunhei isso”, afirma, com o auxílio de uma tradutora.

Agora, décadas depois e na esteira do movimento global #MeToo, Augusto de Lima lamenta não ter falado antes sobre os supostos abusos que sofreu. Ela vê o momento atual como uma segunda chance. “Eu vi todas essas situações acontecerem, mas o único recurso que eu tinha naquela época era simplesmente ir embora”, afirma. “Foi muito difícil, porque eu havia dedicado minha vida e meu dinheiro à igreja.”

“Havia uma cultura na igreja dele de acusar todas as mulheres de ir atrás dele e ficar correndo atrás dele, mas eu conseguia ver o que estava acontecendo. Era sempre ele que ia atrás dessas mulheres, e eu testemunhei isso.”

Isabela Augusto de Lima

Tanto Augusto de Lima quanto Nascimento alegam que receberam drogas de Silva e Souza, que se apresentava como um professor que lhes ensinaria como navegar por estados alterados. Nascimento afirma que ele lhe forneceu “LSD, MDMA e uma variedade muito potente de cannabis, com alto teor de THC”. Algumas décadas antes, Augusto de Lima alega que Silva e Souza lhe forneceu ecstasy e cocaína. As mulheres relatam que ele abusava delas durante essas sessões, apresentando o ato sexual como uma etapa final importante de seu processo de cura.

O caso de Nascimento ganha força

Apesar de ter sido expulsa da igreja, Nascimento continuou trabalhando para Silva e Souza até 2023, ano em que decidiu processá-lo. “Eu sabia que não era a única que havia passado por isso com ele”, afirma Nascimento. “Processá-lo fazia parte de uma estratégia para ajudar outras mulheres que haviam sofrido esses abusos a se sentirem fortes o suficiente para vir a público e falar sobre o que aconteceu.”

Em outubro de 2024, em resposta ao processo e ao crescente número de acusações contra Silva e Souza, o CEFLURGEM-AN “suspendeu por tempo indeterminado todos os convites e autorizações para que Paulo Roberto [Silva e Souza] realizasse viagens e/ou conduzisse trabalhos nas igrejas do CEFLURGEM-AN”. Em 1º de novembro daquele ano, o ICEFLU (Igreja Eclética da Fluente Luz Universal), principal organização de articulação do Santo Daime, publicou uma declaração sobre a investigação e o caso. Nela, os autores, “diante do processo com alegações de abuso sexual e trabalhista contra” Silva e Souza, “[consideram] sua possível conduta de abuso e assédio sexual inaceitável do ponto de vista ético”.

Em dezembro de 2025, O Globo publicou uma carta aberta ao Conselho de Anciãos do Daime, escrita pela cidadã norte-americana MDC. Na carta, ela relata abusos que teriam ocorrido em 2007, quando participou de várias cerimônias no Céu do Mar. Segundo seu relato, durante esse período Silva e Souza a teria agredido sexualmente enquanto oferecia um “trabalho de cura”.

“Meu objetivo é garantir que isso não aconteça com mais ninguém e expressar os danos e a devastação que as ações do Padrinho Paulo causaram em minha vida e em meu caminho espiritual no Daime”, escreve MDC. “Como forma de reparação, gostaria que esse assunto fosse levado à atenção do Conselho de Anciãos e tratado com seriedade. Peço que as mulheres - especialmente as recém-chegadas - sejam protegidas. Peço que nenhum padrinho seja autorizado a tocar uma mulher sob o pretexto de ‘curá-la’ sem que outra mulher esteja presente.”

Naquele mesmo mês, o Ministério Público do Rio de Janeiro solicitou a prisão preventiva do padrinho, pedido que foi negado pela juíza. O Chacruna não conseguiu obter informações adicionais sobre os motivos da negativa.

Segundo Jessica e outra fonte que prefere permanecer anônima, o processo tramita sob sigilo judicial e, atualmente, não está disponível ao público.

O julgamento teve início oficialmente em janeiro de 2026, sob a condução da juíza Renata Travassos Medina de Macedo. As acusações formais contra Silva e Souza incluíam “alegações de violação sexual mediante fraude e violência psicológica, cometidas por meio do uso abusivo da autoridade espiritual para viciar o consentimento da vítima”, informa O Globo.

Várias outras mulheres que alegam ter sido vítimas e que prestaram depoimento como testemunhas no julgamento foram incentivadas pelo Ministério Público a apresentar suas próprias ações judiciais contra Silva e Souza. Até a data de publicação deste artigo, nenhum processo adicional havia sido ajuizado.

Em 5 de março de 2026, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro solicitou oficialmente a condenação de Silva e Souza, concluindo que a “materialidade e autoria dos crimes” haviam sido comprovadas durante a audiência de janeiro. A promotora Flávia Abido Alves afirmou que o pedido de condenação por violação sexual mediante fraude era “ainda agravado pelo fato de o integrante da religião do Santo Daime ser chefe da vítima e porque, além da relação de trabalho, ele exercia uma relação de autoridade e poder sobre ela, uma vez que ela frequentava a igreja que [Silva e Souza] presidia”.

A defesa de Silva e Souza negou consistentemente todas as acusações.

A decisão pela absolvição

Em maio de 2026, a juíza Medina de Macedo absolveu Silva e Souza, concluindo que as provas, incluindo mensagens e os diários de Nascimento, indicavam uma “relação amorosa voluntária e recíproca” e que não havia evidências de coerção ou fraude.

“Não há evidências de manipulação por parte do réu sob o pretexto de que a relação estivesse vinculada a um processo de cura - elemento essencial para a configuração do crime”, escreveu a juíza (conforme noticiado por O Globo). Em vez disso, prosseguiu ela, os registros no diário de Nascimento expressavam uma “profunda desilusão” somente depois que ela foi exposta perante o restante da congregação, e a relação só terminou quando Nascimento foi solicitada a devolver valores referentes a um trabalho que não havia sido concluído.

A juíza considerou que os depoimentos de outras supostas vítimas eram “juridicamente irrelevantes”, por não dizerem respeito especificamente ao caso de Nascimento. A acusação de violência psicológica foi rejeitada devido à ausência de “análise pericial e de provas que demonstrassem que o réu havia agido deliberadamente com o objetivo de causar dano”.

Nascimento afirma ter ficado “devastada com a absolvição”, mas se sentiu fortalecida pelo tratamento que recebeu da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio, incluindo a promotoria, que estão recorrendo da decisão e classificaram publicamente Silva e Souza como um “predador sexual”.

Nascimento critica a juíza pelo que descreve como falta de consideração por ela ou pelas outras supostas vítimas de Silva e Souza. “Ela não levou em consideração a diferença de poder entre nós, nem o fato de ele ser meu chefe e meu líder religioso. Ela não levou em conta a palavra de nenhuma das vítimas.”

Nascimento também afirma que seu diário foi roubado por outra testemunha que depôs em favor de Silva e Souza, a quem ela alega ter sido tratada de maneira “mais favorável” do que suas outras supostas vítimas.

“Embora eu tenha ficado destruída e devastada com a absolvição, sinto-me confortada porque todos sabem que a justiça não foi feita”, afirma. “Quero que as pessoas saibam que isso não é um problema meu, nem um problema das vítimas dele - é, na verdade, uma vergonha para o sistema jurídico brasileiro.”

Jessica Nascimento

“Embora eu tenha ficado destruída e devastada com a absolvição, sinto-me confortada porque todos sabem que a justiça não foi feita”, afirma. “Quero que as pessoas saibam que isso não é um problema meu, nem um problema das vítimas dele - é, na verdade, uma vergonha para o sistema jurídico brasileiro.”

Os apoiadores de Silva e Souza argumentam que suas acusadoras se aproveitaram de um ancião venerado e que Nascimento reagiu com um processo depois que membros da comunidade começaram a falar mal dela.

Uma publicação no Reddit, removida por seus autores originais e posteriormente republicada por outra conta, compartilha um e-mail enviado a destinatários internacionais por duas mulheres indígenas Yawanawá, cujos nomes foram ocultados na republicação. A carta argumenta que as pessoas ouviram apenas um lado da história e sugere que as acusadoras de Silva e Souza estariam fazendo uso indevido da crescente agência conquistada pelas mulheres para formular acusações de abuso sexual desde o movimento #MeToo.

Uma publicação no Reddit, removida por seus autores originais e posteriormente republicada por outra conta, compartilha um e-mail enviado a destinatários internacionais por duas mulheres indígenas Yawanawá, cujos nomes foram ocultados na republicação. A carta argumenta que as pessoas ouviram apenas um lado da história e sugere que as acusadoras de Silva e Souza estariam fazendo uso indevido da crescente agência conquistada pelas mulheres para formular acusações de abuso sexual desde o movimento #MeToo.

As questões sistêmicas do Santo Daime

Independentemente da decisão oficial, os relatos corroborados de supostos abusos por parte de várias mulheres, juntamente com o impacto público do julgamento, deram início a conversas - e a novas controvérsias - em todos os níveis da organização. Nascimento afirma que os aliados de Silva e Souza nos Estados Unidos comemoraram sua absolvição.

As questões levantadas pelo julgamento de Silva e Souza são um sintoma de problemas sistêmicos presentes na sociedade em geral, da qual o Santo Daime é um microcosmo, afirma Paulina Valamiel, socióloga e daimista que também é Research and Communications Officer do Chacruna. A doutrina patriarcal prepara as mulheres da igreja para papéis tradicionais. As esposas de líderes religiosos, explica Valamiel, são preparadas para serem parceiras leais nos âmbitos físico e espiritual, especialmente em momentos de desestabilização provocados por crises e escândalos.

O papel de Silva e Souza como psicólogo também contribuiu para a missão missionária do Santo Daime, ajudando a legitimá-lo por meio da linguagem secular da ciência e da saúde mental. Sua proximidade com o Padrinho Sebastião e sua família lhe conferiu uma posição privilegiada e protegida que, segundo seus críticos, ele utilizou em benefício próprio. Documentos legais do Céu do Mar supostamente apresentam Silva e Souza como o guia espiritual eterno da igreja, independentemente de mudanças na direção e no conselho da organização.

Tanto Nascimento quanto Augusto de Lima concordam que um acerto de contas há muito se faz necessário.

Apesar da absolvição, “esta é uma oportunidade para que a religião e a doutrina olhem para si mesmas e façam alguma coisa, porque esse tipo de situação acontece desde o início”.

Jessica Nascimento

Apesar da absolvição, “esta é uma oportunidade para que a religião e a doutrina olhem para si mesmas e façam alguma coisa, porque esse tipo de situação acontece desde o início”, afirma Nascimento. Ela espera que mudanças estruturais acompanhem as mudanças na liderança.

As mulheres esperam que o caso atraia atenção internacional e que Silva e Souza eventualmente seja responsabilizado integralmente pelo que elas afirmam serem décadas de supostos abusos e condutas inadequadas. Ambas também esperam que as relações entre as mulheres do Santo Daime se fortaleçam e deem coragem a outras pessoas para apresentarem suas próprias denúncias de abuso.

“Minha esperança é que minha trajetória e minha história inspirem outras pessoas”, afirma Nascimento. “E, mais do que isso, que o sistema jurídico possa mudar e se tornar mais sensível para julgar esse tipo de caso. Sou advogada e atualmente trabalho com vítimas de violência sexual, então compreender também essa dor me tornou mais forte e profissionalmente mais preparada para lidar com casos como este.”

“Esta já era uma religião marginalizada, então o impacto é muito negativo”, afirma Augusto de Lima, “mas esta é uma limpeza que deveria ter acontecido muitos anos atrás. Isso é necessário para a evolução da nossa religião. Assim como todos nós vamos ao Daime para beber ayahuasca e nos curarmos, agora o Daime está passando por seu próprio processo de cura.”

Silva e Souza não respondeu aos pedidos de entrevista para este artigo.

Aviso: Este artigo relata alegações feitas pelas pessoas entrevistadas a respeito de Paulo Roberto Silva e Souza, fundador da Igreja Céu do Mar, no Rio de Janeiro, Brasil. Paulo Roberto Silva e Souza foi absolvido das acusações de violação sexual mediante fraude e violência psicológica após um processo criminal realizado no Rio de Janeiro, Brasil, em 2026. A absolvição significa que ele foi considerado inocente e não foi condenado; ela, por si só, não determina a veracidade ou falsidade de cada uma das alegações descritas neste artigo. As alegações são apresentadas como relatos fornecidos pelas pessoas entrevistadas, e não como fatos estabelecidos de que ele tenha cometido as condutas alegadas. Paulo Roberto Silva e Souza nega qualquer irregularidade e foi convidado a apresentar sua resposta.




Referências sobre ayahuasca e abuso sexual:

  • CHACRUNA INSTITUTE. Ayahuasca Community Guide for the Awareness of Sexual Abuse. Chacruna Institute, 2020. https://chacruna.net/ayahuasca-community-guide-for-the-awareness-of-sexual-abuse/.

  • CHACRUNA INSTITUTE. Guia da Comunidade Ayahuasqueira para Conscientização sobre Abuso Sexual Instituto Chacruna. Chacruna Institute, [S. l.], p. 1-6, 2020. Disponível em: https://chacruna.net/ayahuasca-community-guide-for-the-awareness-of-sexual-abuse/

  • FERNANDÉZ, A. C. Power and legitimacy in the reconfiguration of the yagecero eld in Colombia. In B. C. Labate & C. Cavnar (Eds.), The expanding world ayahuasca diaspora (pp. 199–216). New York, NY: Routledge, 2018.

  • KRUGER, D. J., ADAY, J. S., FIELDS, C. W., KOLBMAN, N., GLYNOS, N., BARRON, J., … & BOEHNKE, K. F. Psychedelic therapist sexual misconduct and other adverse experiences among a sample of naturalistic psychedelic users. Psychedelic Medicine, 3(1), 41-47, 2025.

  • MESQUITA, Carolina Pereira Lins. Me too e a quebra de silêncio. Contemporânea, [s. l.], v. 10, n. 2, 2020.

  • PELUSO, Daniela. Ayahuasca attractions and distractions: Examining sexual seduction in Shaman-Participant Interactions. In: LABATE, Beatriz Caiuby; CAVNAR, Clancy. Ayahuasca and Shamanism in the Amazon and Beyond. [S. l.: s. n.], 2014. cap. 10, p. 231-251.

  • PELUSO, Daniela; SINCLAIR, Emily; LABATE, Beatriz; CAVNAR, Clancy. Reflections on crafting an ayahuasca community guide for the awareness of sexual abuse. Journal of Psychedelic Studies, [s. l.], v. 4, n. 1, p. 24-33, 2020.

  • PELUSO, Daniela. Chacruna Survey Results on the Awareness of Sexual Abuse in Ayahuasca Settings. Chacruna Institute, [S. l.], p. 1-4, 28 jan. 2023. Disponível em: https://chacruna.net/chacruna-survey-results-on-the-awareness-of-sexual-abuse-in-ayahuasca-settings/.

  • SINCLAIR, E. J. (2024). Dismantling the Myth of “Mother Ayahuasca”: Gender Dynamics and Cosmology within Mestizo Ayahuasca Shamanism, Iquitos, Peru (Doctoral dissertation, Durham University). Disponível em: http://neip.info/novo/wp-content/uploads/2026/04/Sinclair_Sexual_Abuse_Ayahuasca_Durham_2024.pdf.

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"10 years of Chacruna Institute for Psychedelic Plant Medicines"

Tradução: Paulina Valamiel, Ph.D.

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Ali McGhee, Ph.D

é integrante da equipe editorial do Chacruna Chronicles. Ela vive, escreve e leciona em Asheville, Carolina do Norte.

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